sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Eu prometo..


Por Maria Rita Angeiras

Você é um luxo ao qual eu não posso e nem quero me dar mais. Você passeia entre as suas certezas de homem e suas decisões de menino com uma frequência tão alta que meu pulmão revive em poucos segundos todas as dores que já acometeram o meu corpo e que eu te pedi tanto para você não me causar. Mas esses meus pedidos desesperados e honestos se perderam nesse grande buraco negro que você tem no coração, disfarçado nas suas palavras escolhidas a dedo e no seu discurso absolutamente irreparável, comparado a muitos outros que eu conheci. Você quer colo. Você quer ser amado. Você quer voltar pra alguém no final do dia. Você quer fazer esses programas que casais fazem aos domingos. Mas você não sabe como porque você não sabe dar colo, você não sabe amar, você não sabe voltar pra alguém no final do dia e você não faz a menor ideia do que os casais fazem aos domingos. Você está perdido na sua vontade de amar na teoria e na sua falta de talento para amar na prática. E quem sou eu para te ensinar? Eu não consigo conciliar minha vontade de ter colo com minha falta de tempo para dar colo. Eu não sei amar alguém com esse jogo que todo mundo se profissionalizou em jogar, menos eu. Eu não quero voltar pra qualquer um no final do dia, só pra dizer pra todo mundo que eu tenho pra quem voltar. Eu não me interesso muito pelos programas de domingo dos casais porque eu adoro meus próprios programas de domingo, fazer o quê. E, por fim, eu não sei amar com saúde, coisa que resulta em muita poesia e dor no peito quando respiro bem fundo. Mas, ao contrário de você, eu não te prometi nada. E, pra corrigir esse erro, eu vou te fazer sim uma promessa. Prometo que, daqui pra frente, quando a gente se cruzar de novo, eu vou ser uma tremenda de uma filha da puta com você, que é o que você merece. 

solidão...


e desde agora, eu já me sinto tão sozinha...
eu já me sinto como se tudo que tivesse sido construído se partisse em zilhões de pedaços.
e custa tanto achar-te em cada um deles.
não que eu queira ou vá desistir, mas a viagem é longa.


eu me basto, você se basta, nós nos bastamos...
juntos ou separados.


enquanto você estiver aqui, dentro de mim, ainda haverá forças pra lutar..
e pra te reencontrar...
e te apaixonar...
de novo, de novo e de novo.


enquanto isso, trilho meu caminho...
sozinha.
à tua espera.
novamente e sempre.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cuida de mim...



(...) e ela não aguentava mais de tanta dor. 
Por mais infantil que pudesse ser ou parecer, ela precisava externar essa acetosa sensação. 
E foi exatamente isso o que ela fez. 
Pôs de lado todo o orgulho e simplesmente chorou, seu doce sorriso se transformou, inicialmente, em um olhar distante e dissonante com o mundo e em alguns instantes, esse olhar não conseguiu deter as lágrimas amargas e secas. 
Ele nada podia fazer pra ajudá-la. Mas, ainda assim, fez...
Deitou a cabeça dela em seu peito, utilizou todo o veludo que revestia a pele de sua mão, de sua alma e de seu coração e, simplesmente, a acariciou, a acalmou e lhe disse algumas singelas palavras - que representavam tudo o que ela queria e precisava ouvir: 

"- Eu cuido de você. (...) Não vou pra lugar nenhum se você não for comigo. (...) Apenas feche os olhos. (...) Respire. (...) Chore, se quiser. (...) Eu 'tou aqui. COM VOCÊ! (...)"

E, repentinamente, o rio de lágrimas transformou-se nas melhores lembranças que eles tinham e tudo pareceu tão pouco em vista da imensidão de seu amor que eles apenas... 

se amaram.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Qual a diferença entre o capricho e o amor verdadeiro?




"SALOMÉ.
Tu não quiseste que eu beijasse tua boca, Iokanaan. Pois vou beijá-la agora! Hei de mordê-la com os meus dentes como se morde um fruto verde. Vou beijar a tua boca, Iokanaan! Não te tinha dito? Não te disse? Vou beijá-la agora. Mas por que não me olhas, Iokanaan? Os teus olhos terríveis, cheios de raiva e desprezo cerraram-se. Por que fechaste teus olhos? Abre-os, abre os olhos, descerra as pálpebras, Iokanaan! Porque não me olhas? Terás medo de mim?... A tua língua, que parecia uma serpe rubra secretando veneno, não se move mais; e nem mais uma palavra diz, Iokanaan, essa víbora vermelha que tanto veneno trazia! Estranho, não é? Como está agora a serpe rubra que não se move mais? Não me quiseste, Iokanaan. Desprezaste-me. Disseste-me más palavras. Disseste bem junto a mim, que eu era lascívia e a baixeza; a mim, Salomé, filha de Herodias, princesa da Judéia! Eu estou viva e tu morto! Pertence-me a tua cabeça. Posso fazer dela o que quiser, dá-la aos cães e às aves do ar. Quando os cães estiverem fartos, as aves acabarão de devorá-la... Ah! Iokanaan! Iokanaan! Foste tu o único homem que eu amei. A todos sempre odiei e só por ti tive amor porque eras belo! Teu corpo lembrava uma coluna de marfim cuja base fosse prata, um jardim cheio de pombos e de lírios argênteos, uma torre coberta de broquéis ebúrneos. Não havia no mundo na mais branco que o teu corpo, nada mais negro que os teus cabelos, nada mais vermelho que a tua boca. Da tua voz se desprendiam perfumes de estranhos incensários e quando em ti meus olhos repousavam era como se ouvisse uma estranha música. Ah! porque não me olhaste, Iokanaan? Ocultavas, com as costas das mãos e a capa das blasfêmias, a face; punhas uma venda nos teus olhos como aqueles que só querem ver seu próprio Deus...Viste Deus, Iokanaan, mas não me verás jamais, e se me tivesse visto, amar-me-ias decerto! Vi-te e amei-te. Oh! como te amei! Amo-te loucamente ainda, Iokanaan, a ti só... Tenho sede da tua beleza, tenho fome do teu corpo e nem o vinho nem os frutos podem desalterar ou acalmar o meu desejo! Que farei agora, Iokanaan? Nem as ondas do mar nem as águas da terra podem apagar esta chama... Era uma princesa, e desprezaste-me; era virgem e tomaste minha virgindade; era casta, e lançaste-me nas veias o fogo do amor... Ah! Ah! porque não me olhaste? Ter-me-ias decerto amado! Bem sei que terias me querido... O mistério do Amor é muito maior que o mistério da Morte."


"A única diferença entre o capricho e o amor verdadeiro é que o capricho dura um pouco mais..."

WILDE, Oscar - Salomé. São Paulo. Martin Claret Ltda., 2003.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

rascunhos



tudo começa com uma simples emoção
papel e caneta são encontrados
e os sentimentos transbordam através das palavras


carinho, tristeza
desejo, solidão
não importa, tudo flui nas pequenas letras que escrevo


por vezes duras, por vezes suaves
não penso,  é como se a caneta tivesse movimentos próprios
dançando no papel e demonstrando tudo o que não consigo transmitir


não sei se é seguro expressar o que sinto
não sei o que me é permitido nesse jogo de palavras
não sei o que pode ser manifestado nesse turbilhão de sentimentos


só sei que elas procuraram seu lugar 
fora de minha mente e de meu coração
então, eis o seu destino!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Vitoriosa




Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além.


- x -

depois de encontros, desencontros e reencontros...
1 MÊS de pura felicidade contigo.

E se a cada dia eu conseguir te arrancar um sorriso desses ou te fazer feliz metade do que você me faz, eu tou satisfeita.

Eu merdo você!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011



"[...] deitar-se com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não apenas diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor [...], mas pelo desejo do sono compartilhado."


Milan Kundera, "A insustentável leveza do ser", pág 20.