Caminhos,
trilhas, escolhas... Não é fácil andar pela vida, não é fácil optar pelo que
nem conhecemos. Tantas vezes seguimos pela vida esquecendo de viver.
Mas
andar num tablado é quase um grito de liberdade, é o sopro de um ar que volta à
seus pulmões e te revigora ciclicamente. É aquele amor platônico, erótico e
agapeano que não se descreve, que não se demonstra, que apenas se sente.
Doeu,
doeu desistir desse pequeno espaço onde tudo pode acontecer. Mas eu desistiria
um milhão de vezes se eu pudesse reviver a cada retorno o que vivencie hoje,
porque se essa energia que eu sinto quando divido essas vivências com vocês não
for amor, eu cegue.
O
maior ato de amor que podemos fazer pelo outro é deixá-lo ir. E isso me foi
permitido. Fiz minha travessia. Foi dura. Difícil. Solitária. Caí. Levantei. E
de um dia pra o outro, tudo fez sentido. Só precisei assistir a uma peça. Incomodou
a ideia de estar fora do palco. Eu tava no lugar errado. Posso ESTAR na
platéia. Mas não SOU platéia. Ou melhor, não sou APENAS platéia. Sou várias,
sou máscaras, sou personagem, sou palco.
E,
em apenas um dia, pude sentir aquela sensação que tanto me faz feliz. Fui
várias sozinha e una com eles. É uma comunhão que dispensa quaisquer palavras
ou atitudes. "Forte sou, mas não tem jeito, hoje tenho que chorar",
porque a alegria que eu senti era tudo o que me faltava e tudo o que eu
precisava. E até as lágrimas que caem de meus olhos não conseguem expressar
isso que acontece aqui dentro.
Teatro
é amor. Em todas as suas mais variadas formas e posições. Não importa qual sua
travessia, se for amor, rasgado e costurado, volta. E ele quer voltar, ele
clama por mais uma chance. Ou seria eu? Será mesmo que nós que sentimos o
teatro com cada partícula do nosso corpo, conseguimos distinguir o objeto do
observador? A pessoa que ama do objeto amado? A única certeza que tenho é que
sem teatro eu não SOU, apenas estou.

