terça-feira, 8 de setembro de 2015

TRAVESSIA

Caminhos, trilhas, escolhas... Não é fácil andar pela vida, não é fácil optar pelo que nem conhecemos. Tantas vezes seguimos pela vida esquecendo de viver.
Mas andar num tablado é quase um grito de liberdade, é o sopro de um ar que volta à seus pulmões e te revigora ciclicamente. É aquele amor platônico, erótico e agapeano que não se descreve, que não se demonstra, que apenas se sente.

Doeu, doeu desistir desse pequeno espaço onde tudo pode acontecer. Mas eu desistiria um milhão de vezes se eu pudesse reviver a cada retorno o que vivencie hoje, porque se essa energia que eu sinto quando divido essas vivências com vocês não for amor, eu cegue.

O maior ato de amor que podemos fazer pelo outro é deixá-lo ir. E isso me foi permitido. Fiz minha travessia. Foi dura. Difícil. Solitária. Caí. Levantei. E de um dia pra o outro, tudo fez sentido. Só precisei assistir a uma peça. Incomodou a ideia de estar fora do palco. Eu tava no lugar errado. Posso ESTAR na platéia. Mas não SOU platéia. Ou melhor, não sou APENAS platéia. Sou várias, sou máscaras, sou personagem, sou palco.

E, em apenas um dia, pude sentir aquela sensação que tanto me faz feliz. Fui várias sozinha e una com eles. É uma comunhão que dispensa quaisquer palavras ou atitudes. "Forte sou, mas não tem jeito, hoje tenho que chorar", porque a alegria que eu senti era tudo o que me faltava e tudo o que eu precisava. E até as lágrimas que caem de meus olhos não conseguem expressar isso que acontece aqui dentro.

Teatro é amor. Em todas as suas mais variadas formas e posições. Não importa qual sua travessia, se for amor, rasgado e costurado, volta. E ele quer voltar, ele clama por mais uma chance. Ou seria eu? Será mesmo que nós que sentimos o teatro com cada partícula do nosso corpo, conseguimos distinguir o objeto do observador? A pessoa que ama do objeto amado? A única certeza que tenho é que sem teatro eu não SOU, apenas estou. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Brincadeiras ou Verdades?

"Atrás de cada brincadeira há um fundo de verdade!"

Frase já conhecida, né?

Você nem imagina o quanto as verdades estão enraizadas nas minhas brincadeiras...

Desespero, abandono, carência.

Sim, nada disso é brincadeira... Só é uma forma mais fácil de lidar..."

"Que uns nascem pra sofrer, enquanto outro ri!"

Decepção

É engraçado o quão as pessoas podem ser certas, erradas, egoístas e cheias de si.

Algo que me deixa super arretada é quando alguém faz aquela super merda e ainda pergunta se fez alguma coisa.

Eu simplesmente não entendo porque ao invés de fazerem tais perguntas estúpidas, elas não olham para o seu umbigo e analisam suas atitudes.

Não entendo porque eles teimam em agir e re-agir de forma a machucar outros.

Não entendo como você pode me magoar e me entristecer tão facilmente.

Como eu queria que você simplesmente desistisse de mim, uma vez que é tão difícil pra mim desistir de ti.

Pelo menos, dessa forma, ficaria tão mais simples viver e sobreviver sem ti.

Uma vez que sendo a decisão não tomada por mim, eu não teria responsabilidade nenhuma sobre minha (in)felicidade.

É tão ruim ser sempre marcada e machucada pelo bem alheio.

Sim, estou acostumada a sofrer, mas bem que essa carga poderia ter sido tirada, bem que você poderia simplesmente tirar isso de mim.

Ou ao menos, se preocupar ou mostrar preocupação.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

lágrimas jorram pela minha face escandalizada
sinto a tornozeleira se partir em duas
e me pergunto se não é nossa história se esvaindo
simbolizada por uma tornozeleira.
essa que não mais existe,
como nós! (?)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

aleatoriedade...

nada na vida é aleatório,
nada o que acontece, acontece por acaso...
sabe aquela flor que te fez voltar pra cheirá-la?
pois bem... ela, definitivamente, mudou algo em tua vida.

mas tem algo que é o antônimo de aleatoriedade,
e é sobre isso que eu quero falar hoje
e esse algo, chama-se MULHER!!!
(Sim, em caixa alta e com TRÊS exclamações!)

não pense NUNCA que qualquer coisa  proveniente de uma mulher é aleatório,
mulheres medem as palavras antes mesmo de saber que elas podem surgir,
elas têm a mania de fazer mentalmente as conversas que querem ter
com uma antecedência de, no mínimo, um mês...

os papéis que caem perto de você da mão dela não são coincidências
as citações cada vez mais frequentes de seus autores favoritos não são coincidências
as conversas 'espontâneas' pela internet não são coincidências
as lembranças do passado conjunto não são coincidências

não seja bobo,
ou melhor,
se faça de bobo apenas quando necessário,
pois mulheres sabem exatamente o que querem.

e se o alvo dela é você,
é melhor tomar cuidado.
pois uma mulher só desiste de conseguir algo que quer,
quando consegue tê-lo!



portanto, tome sua decisão antes que ela tome a dela!
- é só uma dica!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Quem ama, ama e ponto final.



Agora eu entendo que quem ama não espera. Não porque não quer, mas porque não consegue! Não por orgullho, mas por agonia! Não por impaciencia, mas pela dor que aperta o peito, deixando ele pequeniniiiiiiiinho que chega a dar dó! Quem ama não espera, por que esperar na incerteza pelo outro, é como estar amarrado de cabeça para baixo em um tronco de coqueiro, debaixo de um toró. E é ainda pior. Quem ama também não consegue ficar com raiva por muito tempo. Por maior que seja a besteira que o amado fez, o amante sempre desculpa. Sabe aquela historinha de que quem ama vê sempre o melhor no outro? Deve ser por causa disso. Quem ama desculpa logo e quer tá logo com o seu amor. Quem ama, ama. Simplesmente ama e é só. Ponto final.

"E eu não vou esperar mesmo não, sabe porque? Por que esse tal amor que o personagem finge que sente, amor dessa qualidade que tem paciência até pra esperar entre um anuncio e outro, pra somente no "voltamos a apresentar" concluir o que tinha fingido que tinha começado, esse tal amor, é somente amor de ficção, e é muito diferente desse negocio aqui que eu sinto, esse negocio de doido que eu não encontro o nome e nenhuma das palavras existentes e que num tem som e nem letra escrita que explique como ele é exagerado." 

A Máquina - O amor é o combustível.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Caio - again.



"Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia – eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas. Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como – eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto – preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio – tão cansado, tão causado – qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios – que importa? (Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio – viria? virá? – e minto não, já não preciso.) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã."


— Caio Fernando Abreu